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PARA FALAR DAS COUSAS DO ALTO,
CADASTREM-SE

EZEQUIEL NEVES
ADMN

A FAMÍLIA CRISTÃ IDEAL

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A FAMÍLIA CRISTÃ IDEAL

Mensagem  Sacerdote Melquisedeque em 2007-12-04, 12:12

POR CALMEIRO MATIAS

A família cristã amadurecida transcende a rigidez do modelo patriarcal.
Isto não significa qualquer diminuição da autoridade paternal.
É uma família onde as pessoas crescem verdadeiramente em maturidade amorosa.
Todas as pessoas são tomadas a sério.
Conviver, nesta família, significa interagir com pessoas livres, conscientes, responsáveis e capazes de comunhão amorosa.
Por se estruturarem em dinâmica amorosa, os seus membros,
À medida em que se realizam, São acolhidos na sua realidade de pessoas únicas, originais irrepetíveis.
Ninguém pretende fazer passar os outros por um molde pré-concebido, pois todos entendem que as pessoas não são peças de artesanato feitas em série.
Os membros da família cristã amadurecida têm consciência dos seus direitos e deveres.
Todos entendem o que é a dignidade da pessoa.
Todos sabem que comunhão não significa fusão ou anulação das diferenças pessoais.
Nesta família, As pessoas sabem que amor não é uma mera questão de sentimentos.
Amar implica actos e atitudes concretas.
O verdadeiro amor implica que as pessoas se elegem mutuamente como alvo de bem-querer.
O amor também exige que as pessoas se aceitem como são, apesar de serem diferentes.
Na calda amorosa desta família,
As pessoas aprendem que o amadurecimento humano implica a capacidade de agir de modo a facilitar a realização e felicidade dos outros.
Na família cristã amadurecida, As pessoas sentem-se responsáveis pelas próprias tarefas,
Condição importante para edificar a comunhão familiar.
Todos entendem que a humanização das pessoas não acontece pelas leis da natureza, pois é uma tarefa que só pode acontecer mediante o amor.
Todos aprendem que as pessoas são iguais,
Não por serem peças feitas em série, Mas por terem a mesma dignidade.
Na família cristã as pessoas aprendem a colaborar. A família é uma comunidade de amor onde há papéis, funções e missões diferentes a realizar.
Não pode haver família equilibrada sem autoridade.
Mas todos sabem que a autoridade, Na família, Se realiza em diálogo, pois não se trata de um poder arbitrário e caprichoso. Na comunidade familiar todos têm tarefas e funções.
Todos tomam a sério e procuram executar de modo sério a sua missão,
Condição importante para a edificação e o bem-estar família.
Como as pessoas se sentem estimadas e valorizadas no que fazem,
Realizam as suas tarefas com agrado.
É uma família aberta à novidade de cada um,
Pois as pessoas aprendem que cada pessoa é única, original e irrepetível.
É uma família consciente da dinâmica da humanização,
Por isso todos têm condições para poder emergir na sua unicidade pessoal.
Eis a razão pela qual não há pessoas desenquadradas ou marginalizadas, pois cada um é chamado a agir e cooperar na medida das suas possibilidades e talentos.
Ninguém desvaloriza a cooperação do outro só por esta ser pequena ou mínima. Por se sentirem aceites,
As pessoas colaboram de modo alegre e generoso.
Por isso vivem felizes e sentem-se em plena realização pessoal.
Por esta mesma razão procuram render o melhor dos seus talentos.
Nesta família ninguém cultiva a mediocridade.
Também não se demitam ou abandalham na execução das suas missões e tarefas. Como consequência deste modo de agir,
Os membros desta família são pessoas profundamente responsáveis.
Esta família é um grande dom de Deus, pois é um alfobre de excelentes obreiros de uma sociedade melhor.
Nota-se que os membros desta família têm sentidos e razões para viver.
É notório o seu jeito alegre de viver e se relacionar com os outros.
Não há pessoas vazias, pois todos têm objectivos e metas para atingir.
Como todos são tomados a sério, o contributo de cada um é estimado por todos.
Nesta família não há cobardes nem heróis.
Todos sabem que recebemos os talentos de Deus pela mediação uns dos outros.
O nosso mérito e grandeza consistem no facto de fazermos render esses talentos.
Procedendo assim, as pessoas realizam-se e possibilitam a realização dos outros.
Todos tomam parte naquilo que a todos diz respeito.
Para que isto seja possível,
Há momentos de encontro para elaborar projectos e tomar decisões em diálogo.
As pessoas são responsabilizadas no sentido de assumirem as tarefas programadas e decididas por todos.
De tempos a tempos há momentos de revisão, a fim de se tomar consciência do modo como se está a realizar o que ficou decidido e programado.
Quando as circunstâncias o aconselham, altera-se o que estava programado.
Mas não há lugar para a demissão ou alheamento das pessoas.
É importante que ninguém se sinta excluído.
As pessoas compreendem que a meta é chegar à plena comunhão familiar.
Por isso os mais novos vão aprendendo que a união e comunhão familiar não são inimigas da felicidade e da realização pessoal.
Pelo contrário, são uma condição fundamental para a humanização das pessoas.
Nesta família há espaços para o trabalho, o encontro, o convívio familiar, para receber os amigos, para o descanso, condições importantes para que a vida das pessoas tenha qualidade.
Todos sabem partilhar a alegria.
Aprender, nesta família, Não é tarefa aborrecida, pois a regra básica na tarefa de ensinar e aprender é o amor.
As pessoas sentem-se livres para pensar e falar.
Mas também todos conhecem a importância de escutar os outros com atenção.
A autoridade dos pais jamais se demite.
Mas nunca cai na arbitrariedade e muito menos em situações de injustiça.
Compete aos pais estar atentos e chamar a atenção no sentido de se cumprir o que foi programado e decidido: horários para as refeições e o descanso, tempos de trabalho, critérios para receber os amigos, realização das tarefas, etc.
Nesta família existe uma coisa muito bonita:
Todos são capazes de se olharem nos olhos e sorrir uns para os outros.
No olhar dos membros desta família e no seu modo de sorrir nota-se a transparência alicerce da verdade e da lealdade.
Uma família cristã amadurecida não acontece de modo espontâneo.
É uma tarefa que se realiza com decisões, escolhas, opções e compromissos.
Há espaços para a partilha da Palavra de Deus e a oração.
Os mais novos sentem-se livres e motivados para participar, pois sabem que são tomados a sério, seja qual for o seu grau de crescimento e maturidade.
Os mais novos aprendem a orar segundo o Espírito Santo, a fim de se evitarem repetições monótonas ou atribuir um efeito mágico a rezas sem conteúdos de vida e sem horizontes de Fé teologal.
Por esta razão, as pessoas atingem um elevado nível de maturidade humana e cristã.
Mas ninguém se esquece da sua condição de pessoa em realização.
Todos tomam a sério a questão do seu crescimento pessoal e do crescimento dos outros.
Esta família é um espaço privilegiado para a acção do Espírito Santo, pois nela acontece verdadeiramente fraternidade e comunhão.
Como as pessoas sentem que os outros são um dom para si, procuram igualmente ser um dom para os outros.
Por serem cristãos esclarecidos,
Os membros desta família sabem ultrapassar os laços do sangue,
Abrem-se aos outros com horizontes de Fé, a fim de construírem a família de Deus, a qual ultrapassa os laços do sangue.
É este o impulso que leva as pessoas a empenharem-se nas comunidades cristãs comprometendo-se, Com o seu trabalho de evangelização, Trabalham seriamente na edificação da família de Deus,
Pois, pela Fé, sabem que o vínculo da comunhão da Família de Deus é o Espírito Santo.
A família é tanto mais cristã quanto mais dinamizada pelo amor, a Palavra de Deus e o Espírito Santo.
Neste sentido é um espaço privilegiado para as pessoas amadurecerem na vida teologal de Fé, Esperança e Caridade.
Esta família vive verdadeiramente a dinâmica sacramental do matrimónio,
Pois visibiliza, explicita e corporiza para o mundo o mistério de Deus que é uma família de três pessoas em comunhão de perfeição infinita.
Devido aos diálogos e encontros de programação e decisão, nesta família existe um objectivo comum para o qual todos procuram convergir.
Por viverem em união com Cristo ressuscitado as pessoas entendem perfeitamente o ensinamento de Jesus segundo o qual nós fazemos uma união orgânica e dinâmica com o Senhor ressuscitado.
No evangelho de São João, Jesus explicita esta realidade de maneira muito simples e, ao mesmo tempo, muito profunda dizendo:

“Eu sou a videira e vós os ramos. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto, pois sem mim nada podeis fazer.

Se alguém não permanece em mim é lançado fora como um ramo e seca. Esses são apanhados e lançados ao fogo e ardem” (Jo 15, 5-6).
Na família cristã amadurecida não há homens ou mulheres “faz tudo”. Isto deforma e incapacita os filhos para, por seu lado, virem a construir uma família feliz.
É melhor todos a fazer pouco, que apenas um ou dois a fazer tudo.
As pessoas que têm a sorte nascer, viver e crescer numa família cristã amadurecem enormemente na vida teologal tornando-se, deste modo, sal, luz e fermento no mundo, como diz o evangelho de Mateus (Mt 5, 13-16).
As famílias cristãs amadurecidas são a rocha sólida e firme sobre a qual se edifica o edifício da nova humanidade.

Sacerdote Melquisedeque
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A FAMÍLIA NA BÍBLIA

Mensagem  Welbe em 2013-01-07, 10:09

A FAMÍLIA NA BÍBLIA
A família é uma realidade fundamental na vida de Israel. Ela emerge de um quadrosocial caracterizado por um profundo sentido de solidariedade. Na raiz existe a convicçãode que todos provém de um pai comum. Cada família é marcada com este selo patriarcalque não é um fato meramente social, mas desemboca como sinal daquela paternidade que éa origem de tudo, no céu e na terra.O povo se concebe como única família que Deus elege, reúne, liberta e conduz àterra prometida. É Deus que edifica a casa de Jacó e a recompõe cada vez que suasinfidelidades a dispersam. É Deus que sustenta e edifica toda família, confiando-lhe aresponsabilidade de transmitir de geração em geração, por meio das ligações de sangue, deafeto e de ensino, os tesouros que legou ao seu povo.Jesus, o Messias, nasce em uma família. Sua vida e suas ações são ricas de eloscom o mundo familiar. O Evangelho, assim como a lei do AT, tem suas raízes em famíliase por meio delas se espalha mundo afora.As famílias, por sua vez, acolhem o Evangelho como norma de vida e se tornamsinal de um mistério mais profundo, pelo qual se revelam a glória do Pai de todos e o amorde Jesus para com sua Igreja. A vinda de Jesus, porém, embora assumindo ele vínculosfamiliares, introduz o fim dos tempos e com ele a relativização radical de toda instituiçãofamiliar. As exigências do Evangelho são destinadas a criar dolorosos cortes entre osmembros das mesmas famílias e determinam separações definitivas.Sobre isto tudo nasce uma nova e definitiva família, a casa de Deus, a Igreja, quetem seus alicerces não sobre ligações de sangue, mas na fé que a torna aberta e acolhedorade todos, judeus e pagãos, reunidos pelo amor de um único Pai na mesma casa, comoirmãos
.1. O Povo como Família.
A concepção bíblica da família nasce do sentido intenso de solidariedade que ligaentre si os membros do povo. Esta solidariedade tem suas raízes na origem comum, o paitransmissor da vida física e de todo o patrimônio religioso e cultural para as gerações que,a partir dele, se desdobram nos tempos. A concepção bíblica tem como modelo osPatriarcas, que têm em si um dado antropológico, mas é sobretudo sinal de uma realidadereligiosa profunda. As genealogias, portanto, têm uma importância extraordinária.Manifestam o gérmen vital e criador de uma comunidade que se estende no espaço e notempo e se tornam veículos de um plano divino. O Pai-antenato tem uma função sagrada.Seus descendentes devem a ele o caráter de povo eleito, é dele que provém as geraçõessucessivas, as bênçãos e as maldições.
Gen.
49,1-2
: Jacó chamou os seus filhos e disse: "reuni-vos para que eu vos anuncie oque sucederá nos dias vindouros.Reuni-vos e escutai, filhos de Jacó, escutai Israel vosso Pai.Gen
49,28
: Todos estes formam as doze tribos de Israel.; isto é o que disse seu Paiquando os abençoou. Abençoou cada um com uma bênção particular.Gen
9,24-27
: Quando Noé despertou de sua embriaguês soube o que fizera seu filhomenor e disse: "seja maldito Canaã,ele será escravo dos escravos de seus irmãos".Disse depois: "Bendito seja o senhor Deus de Sem, e Canaã seja seu escravo. QueDeus faça prosperar Jafé, que ele habite nas tendas de Sem e canaã seja seu escravo".


2
Na ordem da criação é Adão que dá início á humanidade como família na unidadeda origem. Na perspectiva da tradição sacerdotal é Ele, como unidade de homem e mulher,o mediador de toda bênção (Gen 5). Quando o gênero humano decai numa corrupçãocoletiva, Deus reafirma mais uma vez seu plano criador pelos liames da carne e do sangue,escolhendo Noé como um pai sobre o qual volta a descer a benção divina numa famíliahumana e por ela se estende a toda criação em íntima solidariedade.
Gen
. 5,1-2
: Este é o livro da genealogia de Adão. No dia em que Deus criou Adão o fezsemelhante a Deus, macho e fêmea os criou, os abençoou e os chamou com onome de homens no dia em que foram criados.Gen.
9,8-11
: Depois Deus falou a Noé e a seus filhos dizendo: "Eis que eu estabeleçominha aliança com vocês e vossa descendência, e com todo ser vivo que está comvocês: aves, animais domésticos e feras, com todos os animais que sairam da arca.Estabeleço minha aliança com vocês. Jamais será destruída por dilúvio carnealguma e nunca mais haverá dilúvios a destruírem a terra."
Com Abraão o plano de Deus se torna mais claro. Abraão é o pai da família doscrentes. Desde seu chamamento está subentendida nele a bênção de unir numa únicafamília sua descendência, sinal da graça divina. O chamado se concretiza, como em Noé,numa aliança que define o sentido da paternidade de Abraão. Ele se torna o mediador dasbênçãos de Deus para com seu povo. Contemporaneamente é anunciada uma Bênçãoespecial para a descendência de Abraão: a promessa da terra de Canaã, na qual Israel seestabelecerá como família escolhida entre todo o gênero humano. Estão aqui as raízes doespírito de solidariedade que unirá entre si os membros do povo de Israel, conscientes deterem todos um Pai comum na sua origem. Este espírito acompanhará sempre osdescendentes de Abraão até o momento da morte, que haverá de ser não um acontecimentoindividual, mas um reencontro com os pais.
Gen
12,1-3
: Javé disse a Abraão: "sai de tua terra, de tua casa e da casa de teu pai, parauma terra que eu te mostrarei. Eu farei de ti uma grande nação, te abençoarei, fareigrande o teu nome e tu mesmo serás uma bênção. Abençoarei quem te abençoar eamaldiçoarei quem te amaldiçoar e serão benditas em ti todas a tribos da terra."Gen
17,3-8:
Logo Abraão se prostrou com o rosto no chão e Deus lhe falou dizendo: "Eis a minha aliança contigo. Tu te tornarás Pai de uma grande multidão de nações.Teu nome não será mais Abrão mas Abraão pois eu te faço Pai de uma multidão denações. Tornar-te-ei muito, muito fecundo. De ti sairão reis e nações, e minhaaliança estará contigo e com a tua descendência de geração em geração, como umaaliança eterna, sendo eu teu Deus e Deus de tua descendência. Darei a ti e, depoisde ti à tua descendência, a terra onde moras como estrangeiro, toda a terra deCanaã, como possessão para sempre, e eu serei vosso Deus".Gen
49,29
: Jacó deu a eles uma ordem nestes termos: "Estou para me unir aos meuspais. Enterrai-me perto de meus pais, na caverna de Makpela".
Com base na aliança de Abraão, Israel se conscientiza sempre mais de ser famíliapor dom gratuito de Deus. A celebração sob forma de culto deste dom tem suas bases nodiálogo entre Deus e Abraão e transforma o povo em comunidade étnico-religiosa, povoque se torna sinal de graça no meio dos outros povos.Por isto Deus assegura a Israel a sua proteção particular em momentos difíceis,porque é seu povo, a família fundada na sua aliança com Abraão; por isto Deus terámisericórdia dele quando o povo, devastado por suas infidelidades e severamentecastigado, ressurgirá de suas ruínas... Porque Deus é um Pai que considera Israel suafamília, que conduz sua família através do deserto e ao longo da história, provando-o, semdúvida, mas para atraí-lo a si sempre mais firmemente. Nos tempos escatológicos, quando
a aliança será renovada em modo definitivo, todas as famílias dispersas de Israel formarãouma única família para testemunhar a fidelidade de Deus.
Is
41,8-10
: Tu, Israel, és o meu servo, Jacó, que eu escolhi, descendente de Abraão emeu amigo. Eu te busquei na extremidade da terra, chamei-te no recanto maisremoto e te disse: "Tu és meu servo, te escolhi, não te rejeitei. Nada temas. Eu estoucontigo. Não desfaleças, pois eu sou o teu Deus.Is
51,2-3
: Olhai para Abraão, vosso Pai, para Sara que vos gerou, pois eu chameisomente a ele, o abençoei e o multipliquei. Javé tem pena de Sião, tem pena de todasas ruínas; transforma teu deserto em um Éden as tuas estepes no jardim de Javé.Alegria e júbilo há nelas, hinos de louvor e melodias musicais.Jer.
31, 1
: Naquele tempo, - oráculo de Javé, - eu serei o Deus de todas as tribos de Israele elas serão o meu povo.2.
FAMÍLIA E CASA.

O termo que expressa melhor a realidade da família como um todo único, solidário,na perspectiva do indivíduo, é o termo "baith" ou
casa
.
Casa
se refere à família quer comocasado que se desdobra na história, quer como grupo humano que partilha o mesmo quadroreligioso e social.Abraão, chamado a deixar sua terra, é convidado a partir da
casa
do pai, a deixarpelas costas aquela realidade protetora para se abrir ao dever de fundar uma nova família.Cada clã é uma
casa
em relação ao chefe que o fundou que é um elemento de inserção noplano de Deus. O homem tem necessidade de se encaixar nesta realidade maior do que ele,na qual ele experimenta em toda a sua profundeza os vínculos biológicos e afetivos dogrupo ao qual pertence. Por isto o homem que se afasta de sua
casa
é como uma ave que seperdeu, um indivíduo sem raízes, fora do ambiente que o protegia contra o isolamento. "
É melhor a pobreza na própria casa do que a riqueza em um pais estrangeiro
" (Prov. 27. Dooutro lado, porém, como aconteceu com Abraão depois do convite de Deus, todo homem échamado a deixar pai e mãe para unir-se à sua mulher e formar com ela uma só carne.Assim se forma uma nova família e aquele que se une em matrimônio é definido construtorde uma
casa
.
Num.
17,16-17
: Javé falou a Moisés dizendo: "Fala com os filhos de Israel e tomade cada casa patriarcal uma vara, doze varas, portanto, e escreve o nome decada uma sobre a respectiva vara.Prov
27,8
: Como o pássaro que volteia longe de seu ninho, assim é aquele queanda errante, longe de casa.
Para o justo que é fiel à Aliança, todavia, o verdadeiro construtor da
casa
é omesmo Deus. Assim a
casa
de Davi foi edificada por Deus em vista de uma funçãoespecial que deve exercer na história do povo. A mesma coisa acontece para as outrascasas. Se não for Javé a edificá-las ficarão sem consistência e sem sentido, tornando-se vãoo trabalho dos construtores.
1Rs
11,38
: Se ouvires tudo quanto te ordeno, andares em meus caminhos e fizereso que é reto aos meus olhos, guardando os meus mandamentos e meuspreceitos como o fez Davi, meu servo, estarei contigo e construirei para tiuma casa estável, como a construí para Davi.2Sm
7,11-12
: O Senhor te anuncia que fará uma casa para ti. Quando chegar o fimdos teus dias e repousares com teus pais, então suscitarei um descendentepara te suceder , saindo de tuas entranhas e consolidarei o seu reinado.Sal.
127,1
: Se Javé não edificar a casa, é inútil o cansaço dos pedreiros; Se não é oSenhor que guarda a cidade, em vão vigia a sentinela.

A perspectiva continua ser a mesma quando a realidade
casa
indica o povo deIsrael, considerado em sua totalidade. É o Senhor que constrói e volta a reconstruir de suasruínas o povo eleito, sempre fiel às suas promessas e rico em misericórdias.
Jer. 31,4: Vou reconstruir-te, serás restaurada, virgem Israel. De novo pegarás opandeiro e sairás dançando alegremente.
A expressão que mais aparece para lembrar as características da família-estirpefundada por Deus é a
casa de Jacó
. Logo antes da teofania do Sinai, Deus se dirige aopovo chamando-o
casa de Jacó
,
filhos de Israel
. As duas expressões são paralelismos paradesignar a família que Deus escolheu entre todos os povos. Nos cantos da sua liturgiaIsrael lembra os tempos do Êxodo, confessando sua natureza de
casa
edificada pela açãosalvífica de Deus.
Ex:
19,3-6
: Moisés subiu ao encontro de Deus e o Senhor o chamou do alto da montanhae disse: - "Assim deverás falar à
casa
de Israel e anunciar aos israelitas: vistes oque fiz aos egípcios e como vos levei sobre asas de águia e vos trouxe a mim.Agora, se realmente ouvirdes minha voz e guardardes a minha aliança, sereis paramim a porção escolhida entre todos os povos. Na realidade é minha toda a terra,mas vós sereis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa. São essas aspalavras que deverás dizer aos israelitas".Sl
114,1
: Quando Israel saiu do Egito, a casa de Jacó de um povo bárbaro, Judá setornou para ele um santuário, Israel seu domínio.
Nos períodos de crise, Deus se dirige ao povo como à
casa de Jacó
, para lembrar-lhe sua condição de família com vínculos não só de sangue, mas em primeiro lugar, comuma aliança concluída no passado. Esta lembrança do Senhor é, às vezes, uma ameaça quese faz presente na
casa de Jacó
pela Palavra dos profetas, mas quase sempre é uma Palavrade Amor, um apelo de Deus, para que Israel tome consciência da própria identidade depovo eleito e contém o anúncio da futura restauração, pois Deus não pode abandonar afamília que ele mesmo construiu.
Mq
3,9-10
: Ouvi o que segue, chefes da casa de Jacó, governadores da casa de Israel,vós que detestais o que é justo e entortais tudo o que é reto, que construístes Siãocom o sangue, Jerusalém com a impiedade.Por culpa de vós Sião será lavrada como um campo, Jerusalém se transformará emum montão de ruínas e o monte do templo num mato.Is.
46,3-4
: Ouvi-me, ó casa de Jacó, resto que sobrou da casa de Israel, que fostes pormim carregados desde o ventre, transportados desde o útero. Já na idade adulta eucontinuo o mesmo, e na velhice mesmo vos carregarei e vos livrarei.
Nesta
casa
todo membro usufrui do nome "irmão". Não é só uma denominaçãoderivante dos laços de sangue e de raça, mas é um título de dignidade. Na
casa
fundada porDeus todos têm o direito de gozar os bens que ele distribuiu. Por isto a prescrição de leique manda socorrer o irmão necessitado é algo mais do que um simples convite a socorreros carentes: expressa uma íntima necessidade que brota da solidariedade que liga entre sios membros da mesma
casa
e estabelece o direito de gozarem todos igualmente dos bensfamiliares. O fundamento desta irmandade é a mesma origem de um único pai, que exigepara todos a mesma aliança, e faz com que todos experimentem a doçura de viverem comoirmãos na mesma
casa
.
Dt.
15,7-11
: Se estiver em teu meio um necessitado entre os irmãos, em algumas detuas cidades, na terra que o Senhor teu Deus te dá, não endureças o coração e nemfeches a mão para o irmão pobre. Ao contrário, abre tua mão e empresta-lhe o
5bastante para a necessidade que o oprime.Guarda-te de Ter no coração estepensamento mesquinho: " Já está próximo o sétimo ano, o ano da remissão!", deolhar com olhos maus o irmão pobre e de não lhe dar nada, para que não sucedaque ele clame ao senhor contra ti e te tornes culpado de pecado. Deves dar-lhe esar de boa vontade, pois assim o senhor teu Deus te abençoará em todos os teustrabalhos e iniciativas. Uma vez que nunca deixará de haver pobres na terra, eu tedou este mandamento: "abre tua mão para teu irmão, teu necessitado, teu pobre emtua terra.Mq
2,10
: Não temos talvez, todos nós um único pai? Não temos um único Deus, nossocriador? Por que, então, se tem perfídia com o próprio irmão, profanando a aliançados nossos pais?Sl
133
. Oh, como é bom, como é agradável os irmãos morarem juntos. É como óleoprecioso sobre a cabeça, que escorre pela barba, pela barba de Aarão, e desce sobrea gola de seu manto. É como o orvalho do Hermon, descendo sobre os montes deSião. Pois é lá que o Senhor dá a bênção e a vida para sempre.
3. COSTUMES FAMILIARES.
Só tendo em conta este sentido de solidariedade sacral, que faz de Israel umafamília consciente de suas origens e ciumenta da própria unidade interna, podem-seentender algumas manifestações e reações no campo do
ethos
familiar, coisas quedificilmente conseguiríamos encaixar.As tradições que transmitem a vida dos patriarcas não escondem e nem desaprovamcostumes que em outras tradições, trocadas as situações históricas, são condenados.
A poligamia
, por exemplo, é considerada um fato totalmente normal. Abraão vivecomo um dos chefes de clã no seu período. Basta o motivo da esterilidade de Sara para queela aconselhe o marido a se unir a Agar em benefício do clã, cuja proliferação é o um dosbens máximos que devem ser garantidos. Jacó, também, cujo nome devia qualificar toda a
casa
do povo de Deus, teve duas mulheres que, por sua vez, lhe deram suas escravas comoconcubinas. Todavia a tendência é para a monogamia, pois para Abraão a mulher porexcelência é Sara e para Jacó a preferida é Raquel. Todavia as tradições antigas não têmreceio nenhum em referir os fatos sem desaprová-los, pois tais costumes se verificavampara o bem comum do clã.
Gen
16,2
: Então Sarai disse a Abraão: "Javé me impediu de dar á luz. Une-te, te peço, àminha escrava. Talvez dela eu poderei Ter filhos". Abraão escutou o pedido deSara.Gen
29,21-30
: Jacó disse a Labão: "Concede-me minha esposa pois o tempo se esgotoue quero viver com ela". Labão reuniu todos os homens do lugar e deu umbanquete. Chegada a noite, porém, tomou a filha Lia e levou-a a Jacó que dormiucom ela e deu sua escrava Zelfa para lhe servir de criada. Ao amanhecer, Jacó viuque era Lia e disse a Labão: "Por que fizeste isto comigo? Não te servi porRaquel? Por que me enganaste?" Labão respondeu: "Não é costume em nossa terradar a filha mais nova antes da mais velha. Termina esta semana de festa e depois teserá dada também a outra pelo serviço que me prestarás durante outros sete anos."Jacó agiu assim. Acabada a semana nupcial, labão deu-lhe por mulher sua filhaRaquel e com ela a escrava Bala para servir de criada. Jacó se uniu também aRaquel e amou Raquel mais do que Lia. Por ela serviu mais sete anos.30,1-5: Vendo que não conseguia dar filhos a Jacó, Raquel ficou com ciúmes dairmã e disse a Jacó: "Dá-me filhos, senão eu morro!" Jacó irritou-se com Raquel elhe disse: "Por acaso estou no lugar de Deus que te fez estéril?". Ela respondeu:"Aí tens minha escrava Bala. Une-te a ela para dar á luz sobre meus joelhos. Assimterei filhos eu também por meio dela". Deu-lhe, pois, a escrava Bala por mulher eJacó se uniu a ela. Bala concebeu e deu a Jacó um filho.
Tal corrupção familiar que extravasa numa corrupção total do povo, atinge seuápice com a monarquia. Deus, pelo seu profeta, alerta o povo dos perigos que a instituiçãomonárquica apresenta também em nível familiar. A monarquia marca uma decadênciatambém em personagens ilustres da história de Israel. Natã não hesita em anunciar a Davi apassagem em suas mãos de toda a
casa
de Saul, com todo o seu harém, como afirmação dopoder real.O perigo de tal costume se torna evidente quando Davi, aceitando a lógica dopoder, é obrigado a assumir casamentos impostos pelas exigências políticas. Asconseqüências se acumulam sobre Salomão que acolhe, no fim de sua vida, a partenegativa da herança paterna. As mulheres estrangeiras o afastam de Javé. A Palavra deDeus, no caso, não condena somente o mau hábito poligâmico, mas sobretudo asconseqüências que todo o povo sofre, pois é comprometida sua íntima pureza e coesão. DeSalomão em diante, isto é, a partir dos descendentes de Salomão, Israel vai deixar de seruma única família.
2Sam
12,7-8
: Então Natã disse a Davi: "Tu és aquele homem. Assim fala Javé: - Eu teungi rei de Israel e te salvei das mãos de Saul; Eu te dei a casa do teu senhor ecoloquei em tuas mãos as mulheres do teu senhor; dei-te a casa de Israel e de Judá;se isto fosse pouco demais eu teria acrescentado ainda mais - ..."2Sam
5,13
: Davi tomou também concubinas e esposas de Jerusalém, depois de suachegada a Hebron, e esta lhe geraram mais filhos e filhas.1Rs
11,4
: Quando Salomão envelheceu, suas mulheres o perverteram para deusesestrangeiros e seu coração já não estava submisso a Javé seu Deus, como o tinhasido o coração de seu pai Davi.1Rs
11,9
: Javé se indignou contra Salomão porque tinha afastado seu coração dele,Deus de Israel que lhe tinha aparecido duas vezes.
A este problema está ligado aquele da
endogamia
, fenômeno do clã que visa acoesão interna. Na época patriarcal a endogamia é evidente. Abraão casa com uma prima-irmã, Jacó e Isaac com uma prima, Esaú com a irmã de Ismael. O costume se rompequando há sistematização na terra de Canaã. O liro dos Juízes acena, com uma anotaçãoapressada, o inconveniente desta ruptura familiar, apontando-a como traição ao significadoreligioso da solidariedade.


7
A lei dá normas bem detalhadas para a conservação da estrutura unitária do clã. ODeuteronômio, constatando os efeitos funestos da fixação na Terra Prometida, proíbecontrair matrimônios esogâmicos para que o povo permaneça fiel à Aliança. No período darestauração emerge a mesma preocupação em termos mais rígidos ainda. Neemias revigoraleis que são uma verdadeira volta aos antigos costumes tribais.
Jz
3,5-7
: Os filhos de Israel moraram junto com os Cananeus, hititas, amorreus,hevitas, ferezeus e gebuseus. Casavam-se com suas filhas e lhes davam as filhasem casamento. E serviam seus deuses. Os israelitas cometeram o qu é mau aosolhos do Senhor, seu Deus, e serviram a Baal e Astarte.Eclico 47,21-23: Mas entregaste teus flancos às mulheres e foste subjugado em teu corpo.Manchaste a tua glória e profanaste a tua descendência, a ponto de fazer vir acólera contra teus filhos, e a aflição por causa da tua loucura. Teu império foidividido em dois e de Efraim surgiu um reino rebelde.Dt
7,1-4
: Quando Javé, teu Deus, te introduzir na terra em que vais entrar para tomarposse e expulsar da tua frente muitos povos .... tu deverás votá-los ao interdito.Não farás pacto com eles , não terás compaixão deles. Não contrairás matrimôniocom eles, não darás tua filha a um de seus filhos, nem tomarás uma de suas filhaspara teu filho, porque elas afastariam teu filho de mim e o arrastariam a seguiroutros deuses e a ira do senhor se acenderia contra vós e os destruiria prontamente.Neemias
13,25-26
: Naquela mesma época vi judeus que tinham casado com mulheres deAzoto, de Amon e de Moab. Metade de seus filhos falavam a língua de Azoto ou alíngua deste ou daquele povo, mas não sabiam falar a língua judaica. Eu oscensurei, os amaldiçoei, até bati em alguns deles, os agarrei pelos cabelos e osconjurei dizendo: "Não deveis deixar que vossas filhas se casem com os filhosdeles , nem tomar as filhas deles como esposas para vossos filhos ou para vósmesmos. Acaso não foi por isto que Salomão, rei de israel, se tornou pecador? Nomeio de tantas nações não havia nenhuma que tivesse rei igual a ele. Ele era opredileto de Deus e Deus o fez rei sobre todo Israel. Contudo também ele foiseduzido ao pecado por mulheres estrangeiras".
Tal exigência de solidariedade, que explica costumes e atitudes diante do ethosfamiliar, se reflete no quadro de cada uma das famílias. As instituições do "
Levirato
" e do"
Go´el
" a confirmam mais ainda.
Dt.
25,5-6
: Quando dois irmãos vivem juntos e um deles morre sem deixar filhos, amulher do falecido não casará fora, com um estranho. O cunhado dela virá a ela ea tomará por esposa, assumindo com ela seu dever de cunhado. O primogênito aoqual ela dará à luz, terá o nome do irmão falecido, a fim de que o nome dele nãoseja extinto em Israel.
O "
Go´el
" (resgatar, redimir), é, de certa maneira, um personagem-instituição coma tarefa de defender os interesses da família. Por exemplo. Cabe a um parente próximo,com função de Go´el, resgatar quem foi vendido como escravo para pagar dívidas. Nahistória de Ruth o "Go´el" se identifica com o Levirato. Booz resgata os bens do falecido eacolhe como esposa Ruth garantindo posteridade ao falecido. A linguagem é transferidaaqui também do ambiente familiar ao povo de Deus. Javé é o "Go´el", o redentor de Israel,a garantia dos bens que foram dados ao povo, aquele que o resgata de seus pecados.
Lev.
25,47-49
: Se um forasteiro, que se estabeleceu em teu meio, enriquece e teu irmãose torna pobre e se vende ao forasteiro ou a alguém da família do forasteiro que seestabeleceu a teu lado, depois de Ter sido vendido poderá ser resgatado. Poderáresgatá-lo um dos seus irmãos, um tio ou um filho do tio, ou alguém dos parentesdo mesmo sangue ou, caso tenha meios para fazê-lo, poderá resgatar-se a si mesmo.

Welbe

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