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Existem umas expressôes bíblicas de difícil compreensão...

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Existem umas expressôes bíblicas de difícil compreensão...

Mensagem  Lima em 2010-03-08, 08:50

A Paz de Deus,

Qual a interpretação correta para essa passagem?

I TIMÓTEO (cap. 2)
15 salvar-se-á, todavia, dando à luz filhos, se permanecer com sobriedade na fé, no amor e na santificação.

Deus abençoe
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Lima

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Re: Existem umas expressôes bíblicas de difícil compreensão...

Mensagem  Welbe em 2010-03-08, 11:01

Mulheres como Profetas e Mestras

by Steve Atkerson
A sabedoria de Salomão é literalmente proverbial. Quando escrevendo conselhos para seu filho, Salomão apresentou a sabedoria na figura de uma mulher chamando os jovens à parte, para aprenderem com elas (Provérbios 1-9). Salomão sabia que os rapazes eram cativados pelas mulheres, como prova a mitologia antiga, que falava de marinheiros sendo atraídos pelas sereias. Conseqüentemente, Salomão apresentou as verdades do Senhor com uma embalagem atraente. A mulher Sabedoria criada por Salomão apresentava-se em absoluto contraste com a mulher Insensata, que seduzia os jovens para que pecassem. Assim, vemos que a mulher pode exercer grande influência no homem, tanto para o bem quanto para o mal.
Tragicamente, a sabedoria de Salomão falhou quando ele decidiu tomar mulheres estrangeiras como esposas, pois estas adoravam falsos deuses. O resultado foi que essas esposas “lhe perverteram o coração para seguir outros deuses” (I Reis 11:4), apesar do fato de que o Senhor já havia aparecido a Salomão duas vezes (I Reis 11:9)! A situação de Salomão ilustra bem a afirmativa de um velho conselheiro matrimonial que dizia que, enquanto o marido pode ser a cabeça da mulher, a esposa é como o pescoço, virando a cabeça para a direção que ela desejar!
Considerando a grande influencia que o sexo feminino exerce no homem, que papel a mulher deveria desempenhar no processo formal de educação? Como no caso da mulher Sabedoria, de Salomão, será apropriado (e desejável) que ela ensine aos homens? Deverá ela ensinar outras mulheres? Deverá ela ensinar a seus próprios filhos? Em nossos dias de correção política, igualdade de direitos, liberação feminina e feminismo, é até de surpreender que questões como essas sejam ainda suscitadas. Entretanto, essas considerações precisam ser feitas, pois essa matéria é assunto que interessa ao Senhor, ainda que isso não seja o que a igreja tem historicamente mantido e nem o que a sociedade contemporânea demanda.
Mulheres Como Mestras de seus Próprios Filhos
Salomão aconselhou: “não abandone os ensinamentos de sua mãe”. Quanto você aprendeu sobre a vida, com sua mãe? Indiscutivelmente, algumas das maiores lições de vida nos foram ensinadas ainda em tenra idade por nossas mães. Isso é verdade. Isso faz sentido. Isso é óbvio. Isso é como as coisas têm que ser. E agora, em tempos mais recentes, um grande número de crentes também oferece o ensino formal aos seus filhos em casa (*). Ler, escrever e aritmética estão sendo ensinados no lar e, usualmente, pela mãe das crianças, enquanto o pai está fora trabalhando.
(*) Nota do tradutor: A referencia aqui é ao sistema usado nos Estados Unidos, no qual os pais podem ensinar as matérias do curso básico aos seus filhos em casa, sem que eles precisem freqüentar qualquer outro tipo de escola. Esse ensino, que tem seu curriculum, seus regulamentos e exigências, é plenamente reconhecido pelas autoridades educacionais e é bastante difundido no país.
A influência de uma mulher em seus filhos é profunda. Escrevendo ao colega obreiro apostólico Timóteo, Paulo refletiu sobre a fé do companheiro dizendo: “trazendo à memória a fé não fingida que há em ti, a qual habitou primeiro em tua avó Loide, e em tua mãe Eunice” (II Timóteo 1:5). Sem dúvida, essas duas mulheres desempenharam um papel muito importante em levar Timóteo a Jesus. Em II Timóteo 3:15, Paulo observa que: “desde a infância sabes as sagradas letras”. A Bíblia não elucida essa questão, mas quem teria ensinado a Timóteo as Escrituras, a não ser sua mãe e sua avó (especialmente sabendo-se que seu pai não era crente)?
Quem pode determinar o valor de uma mulher como mestra e educadora de seus próprios filhos? O valor de seu ministério à sua família é incalculável. A sociedade não pode pagar, empregados para fazerem, por dinheiro, o que as mães fazem por amor. As mulheres são claramente qualificadas para ensinar a seus próprios filhos. (Deuteronômio 4:9-10, 6:4-9, 11:18-19). Dito isso, é preciso que se note que o Novo Testamento coloca a principal responsabilidade da educação espiritual das crianças diretamente sobre seus pais: “E vós, pais, não provoqueis à ira vossos filhos, mas criai-os na disciplina e admoestação do Senhor” (Efésios 6:4).
Para os pais que estão lendo isto, eu pergunto: Você está pessoalmente ensinando seus filhos nos caminhos do Senhor? Você ensina a Bíblia aos seus filhos? O que é mais importante parta você, assistir televisão ou instruir essa preciosas vidas que Deus colocou sob sua responsabilidade? O crédito por Timóteo haver crescido até se tornar um obreiro apostólico é de Eunice. Mas onde estava seu marido? Talvez tenha morrido cedo ou tenha sido um pagão desinteressado das coisas do Senhor. Pai, qual é a sua desculpa? Você morreu cedo para as responsabilidades como pai? Você está espiritualmente queimado? Faça o propósito perante Deus de, pela Sua graça, ser um pai para seus filhos como o de Timóteo evidentemente nunca foi! Não delegue essa responsabilidade para sua esposa. Essa missão não é dela!
Mulheres como Mestras de Outras Mulheres
Depois que uma mulher ter seus filhos criados, ela passa ter tempo disponível para outras atividades. Essa mulher já tem um vasto cabedal de experiências, conhecimentos e sabedoria. Uma das opções dentre os ministérios oferecidos pelo Senhor para essa mulher é trabalhar com as mulheres mais jovens. Ela deve “ensinar o que é bom”, ensinar às jovens “a amarem aos seus maridos e filhos, a serem moderadas, castas, operosas donas de casa, bondosas, submissas a seus maridos” (Tito 2:4).
A palavra grega para “ensinar” em 2:4 é sophronizo e quer dizer “relembrar alguém de sua responsabilidade, admoestar”. Essa palavra é formada por duas outras: sozo, que representa “seguro, bem, preservado, restaurado” e phren, que indica “pensamento, mente”. Assim, a tradução mais apropriada seria “restaurar uma pessoa às suas responsabilidades, controlar, disciplinar”. Alguém poderá dizer que as senhoras devem auxiliar as mais jovens a “pensarem corretamente”. Porém a atração pelo trabalho fora de casa seduz muitas mulheres a entrarem no mercado de trabalho, deixando as crianças aos cuidados das creches. Em contraste, Paulo aconselhou às viúvas jovens que ”se casem, tenham filhos, dirijam as suas casas...” (I Timóteo 5:14). Parte do “pensarem corretamente” é a correta compreensão da importância dos trabalhos do lar e da criação das crianças. (Na outra face dessa equação, podemos notar que, no Novo Testamento, existem mulheres de negócios, como Lídia).
Então, mulheres cristãs maduras devem ser encorajadas a ensinar as jovens mulheres cristãs. Os principais assuntos poderiam ser categorizados em: maternidade, arranjo do lar e economia doméstica. O resultado desse treinamento será uma futura colheita de mulheres que incorporarão as qualificações para viúvas aprovadas: “que tenha sido mulher de um só marido, aprovada com testemunho de boas obras, se criou filhos, se exercitou hospitalidade, se lavou os pés aos santos, se socorreu os atribulados, se praticou toda sorte de boas obras” (I Timóteo 5:9-10).
É interessante que nada é definido em Tito 2 sobre a mulher madura ensinar qualquer coisa sobre teologia propriamente dita nem sobre as Escrituras. Certamente as Escrituras foram mencionadas como a base do treinamento específico. Entretanto, esse uso da Bíblia não é o mesmo que realmente ministrar ensinamentos, apresentar uma aula sobre teologia sistemática ou dirigir um estudo bíblico. A diferença é fundamental. O objetivo da mulher com maturidade é ensinar a Bíblia ou treinar e orientar o “como fazer”, para que as jovens fossem boas esposas e mães, usando a Bíblia como trampolim.
Os nomes de muitas pessoas reconhecidas como mestres na igreja primitiva estão anotados: Apolo, Barnabé, Simão, Lucio, Paulo, etc. Interessante é que não existe no Novo Testamento um único exemplo de uma mulher ungida que seja claramente reconhecida como uma “mestra” das Escrituras (no mais formal sentido da palavra). Esse argumento do silêncio não é, por si só, justificativa para impedir a mulher de ser algo como pastora (ou anciã). Entretanto, é de admirar que nenhuma mulher jamais tenha sido mencionada como exercendo as atribuições de mestra.
Mulheres como Mestras na Igreja
Por que é então que não há exemplos de mulheres mestras de ensinamentos da Bíblia no NT? Para começar, é preciso que se note que também não muitos os “irmãos” que se pode presumir sejam mestres (Tiago 3:1). Com respeito a mulheres em particular, tal ministério parece especificamente negado a elas em I Timóteo 2:11-15, como citado abaixo:
“A mulher aprenda em silêncio com toda a submissão, pois não permito que a mulher ensine, nem tenha domínio (autoridade) sobre o homem, mas que esteja em silêncio. Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão; salvar-se-á, todavia, dando à luz filhos, se permanecer com sobriedade na fé, no amor e na santificação”.
O que queria o apóstolo Paulo dizer? Que a mulher não deveria ensinar a Bíblia para os homens? Que as mulheres não deveriam ensinar a Bíblia a ninguém? Como fica o fator “autoridade” na equação?
1 . A mulher deve “aprender em silêncio” (I Timóteo 2:11) - Essa determinação de que a mulher deveria “aprender em silêncio” (2:11) é apoiado em 2:12, com “esteja em silêncio”. A palavra grega usada aqui para “silêncio” é hesuchia (cuja raiz quer dizer “tranqüilo”), não quer dizer “muda”. Por exemplo, hesuchia é usada em I Timóteo 2:2 (que fala de uma “vida tranqüila”), para se referir uma existência livre de perseguições e guerras. Ela é usada em 2 Tessalonicenses 3:12 (“trabalhando tranqüilamente”) para descrever o oposto de ter uma vida atribulada. Então, parece que as senhoras cristãs devem estar quietas, calmas, não polemizando, no contexto do ensinamento (sendo ensinadas). Fazer oposição ou debater com um mestre não é um ministério para o qual as mulheres tenham sido chamadas.
2. As mulheres devem aprender “com toda a submissão” (2:11) – Qual é a diferença entre submissão e “toda a submissão”? A palavra “toda” ajuda a enfatizar o grau de cumprimento da determinação. Em grego, a palavra é pas, “todo”. No contexto do aprendizado, as mulheres devem estar em “toda” submissão. A palavra “submissão” aqui é hupotage, traduzida em outros locais por “obediência” (II Coríntios 9:13). Ela é também usada para exprimir a obediência dos filhos aos pais (I Timóteo 3:4). Na família de Deus, as mulheres devem ser conhecidas por serem quietas, gentis e de comportamento submisso quando aprendendo sobre as Escrituras.
3. “Eu não permito” (2:12) – “Permito” (epitrepo) é a mesma palavra grega usada em I Coríntios 14:34, onde é determinado que às mulheres não é “permitido” falar nas reuniões da igreja (I Timóteo 2:12). Quando Paulo escreveu “eu não permito” (I Timóteo 2:12), ele usou o presente do indicativo, que tem a característica de ser determinante, taxativo. Fritz Rienecker, na obra Linguistic Key to the Greek New Testament, falando sobre a tradução dessa passagem para o inglês, diz que ela traduz uma ação permanente e intensa, como “eu nunca permito”. Isso fica mais óbvio em I Timóteo 2:13-14, onde Paulo apela para a ordem de criação de Gênesis 1 (“primeiro foi formado Adão, depois Eva”), assim como a particularidade da queda (“Adão não foi enganado, mas Eva sim”) para apoiar a proibição. Usando a ordem da criação e da queda para o assunto em particular, fica muito bem definido que essa verdade é atemporal, isto é, é válida através dos tempos e também que independe da cultura na qual esteja sendo considerada.
4. Mulheres não devem “ensinar” (2:12) – A palavra grega para “ensinar” é o verbo normalmente usado para o ato de instruir, didasko (de onde derivou “didática”). Ela foi usada para designar o ensino de Jesus nas sinagogas e nas cortes dos templos (Mateus 4:23 e 26:55), na determinação de Jesus para ensinarmos a todas as nações (Mateus 28:20), para os ensinos dos apóstolos após o Pentecostes (Atos 4:2), para os ensinos de Paulo e Barnabé em Antioquia (Atos 11:26) e para os ensinos de alguém sobrenaturalmente dotado para ser mestre (Romanos 12:7). Para outros exemplos, veja a obra (disponível apenas em inglês) de Paul R. McReynolds, Word Study Greek-English New Testament, Wheaton: Tyndale House, 1998, pág. 1133. A forma gramatical didaskalos é empregada para designar a ação de alguém reconhecido como “mestre” (como Jesus em Mateus 8:19). É este ministério particular que parece haver sido negado às mulheres.
A forma grega de “ensinar” traz a conotação de que a ação é praticada por alguém realmente “mestre”. Existem, para exemplificar o caso que analisamos, duas formas gramaticais gregas que denotam idéias diferentes. O estudioso Wuest ressalta, da gramática grega de Dana e Mantey (pág. 199): “Uma das formas denota o que é eventual ou particular, enquanto que outra designa uma condição ou processo. Assim, a palavra pisteausai refere-se ao exercício da fé (crer) em dada ocasião, enquanto pisteuein designa o crente; douleusia significa prestar um serviço, ao passo que douleuein significa ser um escravo; hamartein é cometer um pecado, mas hamartanein é ser um pecador”. Então, como a palavra usada no texto que analisamos pertence à segunda categoria dos exemplos acima, ela significa, traduzida, “ser um mestre” (Kenneth Wuest, The Pastoral Epistles in The Greek New Testament, Grand Rapids: Eerdmans, 1958, pág. 48). O que é proibido em I Timóteo 2:12 é que a mulher assuma o papel de mestre na igreja ou para a igreja.
Note também o paralelo entre 2:11 e 2:12: que a mulher “aprenda em silencio“ (2:11), correspondendo a que não lhe é permitido “ensinar” (2:12). Então, ao invés de ensinar, a mulher deve aprender. As duas atividades são opostas por natureza. Seria como que, se uma mulher ensinasse a Bíblia, estivesse violando as próprias Escrituras que procurasse ensinar.
O que está colocado acima não quer dizer que o homem nada tenha a aprender com a mulher. Os fatos que uma mulher pode trazer uma palavra de profecia para o homem, que Priscila possa explicar coisas para Apolo ou que o homem possa aprender das palavras de uma canção cantada por uma mulher, ilustram vividamente essa afirmativa. O caso aqui é o de uma mulher assumir a posição de ministrar instruções doutrinais ou ensinar a Palavra, no sentido encontrado em Mateus 28:19-20, Atos 2:42 e Romanos 12:7. É importante evidenciarmos que Paulo não teve um mira a escola secular, onde uma mulher poderia ensinar a uma classe cheia de homens. Ao contrário, o que é proibido é uma mulher ser uma mestra das verdades divinas para a igreja.
5. As mulheres não devem ter “autoridade sobre o homem” (2:12) - Observe que o requisito para que as mulheres estejam em “toda a submissão” (2:11) corresponde exatamente ao mandamento de que ela “não tenha domínio sobre o homem”. Ao invés de exercer autoridade sobre o homem, as irmãs devem ficar em um espírito de calma e tranqüila submissão.
Muitos tentaram redefinir a palavra “autoridade” apresentado-a com a conotação que tinha muitos séculos antes do Novo Testamento ser escrito. Isso é uma falácia ilógica, um estudo errado da palavra. As palavras mudam de significado através do tempo e a única informação relevante é a que diz respeito ao uso da palavra ao tempo em que foi escrito o NT. Paulo provavelmente não tinha conhecimento de como uma palavra em particular havia sido usada por Homero ou Sócrates, centenas de anos antes dele haver nascido!
“Autoridade” é, ao mesmo tempo, uma tradução e uma transliteração de authenteo, uma palavra encontrada nessa forma gramatical apenas nessa passagem, no Novo Testamento. Originalmente (muito antes dos tempos do NT) ela se referia a “alguém que, com suas próprias mãos, mata a outrem ou a si mesmo”. Depois, ela evoluiu para significar “alguém que faz as coisas, o autor” (essa palavra, autor, deriva de authenteo, assim como autocrata, aquele que age por sua própria autoridade). Então, finalmente, como usada ao tempo do Novo Testamento, ela representava “governar, exercer autoridade” (Thayer). O vocabulário de BAGD define o significado de authenteo no primeiro século como “ter autoridade”. Então, “ter autoridade” sobre um homem significaria o direito de dominar ou governar esse homem. Segundo os conceitos de Dana e Mantey (já descritos) sobre a significação gramatical das formas apresentadas, “ter autoridade” poderia oferecer a idéia de que a mulher não deve “ser uma autoridade” sobre o homem.
Qual é a relação em I Timóteo 2:12 entre “ensinar” e “autoridade”? Existem pelo menos duas maneiras de vermos isso:
A - Ensino com Autoridade. A habilidade de ensinar foi realmente reconhecida na igreja primitiva como um dom divinamente ofertado (Romanos 12:7 e I Coríntios 12:27-31). Certas pessoas são reconhecidas pela igreja especificamente como mestres (Efésios 4:11). Presume-se que para fazer sermões para a igreja é preciso que alguém tenha a autoridade (ou o direito) de fazê-lo e que isso é exercer um tipo de autoridade sobre todos os presentes. Para serem corretos, todos os ensinamentos e profecias devem ser julgados pela igreja como um corpo. Contudo, o simples direito de oferecer um ensinamento é uma forma de autoridade. Vemos um paralelo com isso em I Coríntios 14:34, onde o silêncio (isto é, não falar) é apresentado mo uma forma de submissão: “as mulheres estejam caladas nas igrejas; porque lhes não é permitido falar; mas estejam submissas como também ordena a lei”.
B – Nem ensinar, nem autoridade – Um exame do real significado das palavras gregas em I Timóteo 2:12 apresenta algumas interessantes observações. Lemos ali: “Pois não permito que a mulher ensine, nem tenha domínio sobre o homem, mas que esteja em silêncio”. Perceba que as palavras “ensinar” e “domínio” (autoridade) estão opostas a “eu não permito”. Isso pode significar que existem duas coisas distintas e separadas que às mulheres não é permitido fazer. Primeiro, elas não podem ensinar. Segundo, não podem ter autoridade sobre o homem. Essa é uma situação bem clara: a palavra grega para “ou” é odia, que significa realmente “nenhum”.
Independente de qual dos cenários é o correto, a frase “sobre o homem” (2:12) justifica outras explanações. Desde que na igreja nenhum homem tem autoridade hierárquica sobre outro (veja Lucas 22:24-27) o que Paulo quereria dizer aqui sobre autoridade? Primeiro, o simples fato de que qualquer ensino é um ato autoritário “sobre” outras pessoas presentes. Segundo, note que não existe nenhuma preposição grega para “sobre” no texto original. Essa palavra é acrescentada pelos tradutores, baseados no final da palavra “homem” (andros). Embora “sobre” seja uma opção gramatical legítima, podemos oferecer uma preposição diferente: a palavra “de”. Considerando o que a Bíblia diz em outros lugares sobre os líderes de igrejas não terem autoridade terrena “sobre” outro homem (Lucas 22:24-27), esse verso seria mais bem traduzido como “autoridade de homem”. Então, as mulheres não devem ter autoridade “de homem”.
Nota do tradutor: Das versões brasileiras mais tradicionais, a Edição Revista e Corrigida de João Ferreira de Almeida (1987), traz no, verso 12, “... nem use de autoridade sobre o marido...”, enquanto que a versão Revista e Atualizada (1993) diz “... nem exerça autoridade de homem...“, que é a forma indicada acima como mais correta.
O Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa (brasileiro) define “autoridade” como: “o direito ou poder de se fazer obedecer, de dar ordens, de tomar decisões...” Nesse contexto, é claro que os homens têm autoridade para ser mestres no corpo de Cristo. Os homens têm também autoridade para debater com os outros homens até que, juntos, cheguem ao consenso como igreja (ekklesia). Terceiro, eles têm autoridade para ser as cabeças de suas famílias. Quarto, têm autoridade para ser anciãos na igreja (se preencherem os requisitos). Quinto, os homens têm autoridade de dirigir a oração pública conjunta (I Timóteo 2:Cool. Sexto, os homens têm autoridade para discursar para a igreja reunida (I Coríntios 14:34-35).
No reino de Deus, o único homem ao qual uma mulher tem que se submeter é o seu próprio marido. Mulheres em geral não têm que se submeter aos homens em geral. No entanto, mulheres não têm autoridade de assumir, na igreja, tarefas reservadas aos homens: mestre, ancião, juiz de profecias, etc.
6 – Que a mulher “esteja em silêncio” (2:12) – Como já foi demonstrado, a mesma palavra grega (hesuchia) está por trás de “silêncio”, tanto no verso 11 quanto no 12 (algumas traduções trazem “silenciosas” no verso 11). Ainda que essa palavra possa significar muda, ela primordialmente significa “ajustada” (no sentido de tranqüila, calma), não contenciosa e não agitada. As mulheres devem se manter silenciosas em respeito ao ensinamento e à autoridade do homem (essas coisas estão no âmbito das tarefas dos homens). As mulheres não têm “autoridade” outorgada por Deus para assumir responsabilidades atribuídas aos homens, especialmente de ensinar, liderar e tomar decisões. Nessas áreas, elas devem se manter quietas. Suas informações, seus pensamentos, seus sentimentos e suas idéias devem ser expressas através de seus maridos, não diretamente à igreja. Passar por cima seus maridos nesses assuntos é envergonhá-lo: “E, se querem aprender alguma coisa, perguntem em casa a seus próprios maridos; porque é indecoroso para a mulher o falar na igreja” (I Coríntios 14:35).
Marido, vocês considera sua esposa? Você leva realmente em consideração suas idéias e seus sentimentos? Você pede a opinião dela sobre assuntos da igreja? Estão suas preocupações refletidas nas deliberações que você toma quando reunido com os outros homens da congregação? Nosso irmão Paulo nos lembrou que “Todavia, no Senhor, nem a mulher é independente do homem, nem o homem é independente da mulher, pois, assim como a mulher veio do homem, assim também o homem nasce da mulher, mas tudo vem de Deus” (I Coríntios 11:11-12). Paulo ainda advertiu aos maridos que considerassem como estavam vivendo com suas esposas, tratando-as com respeito, como companheiras e co-herdeiras do gracioso dom da vida, “para que não sejam impedidas as vossas orações” (I Pedro 3:7). Suas orações a Deus parecem estar ricocheteando no teto e caindo de volta sobre você? Talvez haja uma boa razão para isso! Os maridos devem representar suas esposas nos assuntos da igreja, assim como os senadores na capital do país representam seus estados.
Assim, ainda que homens e mulheres sejam iguais em Cristo (Gálatas 3:28), eles têm esferas de atuação diferentes de ministério. Submissão não quer absolutamente dizer inferioridade. Cristo pessoalmente exemplificou isso em sua existência terrena (Ele se submeteu à sua mãe e ao seu pai terrenos, conforme se vê em Lucas 2:51). Em Sua existência divina, Ele fez o mesmo (ainda que igual ao Pai, Cristo se submeteu a Ele) (Filipenses, 2:5-11).
7 - “Adão foi criado primeiro” ( 2:13) – O fato de que Adão foi criado primeiro indica liderança, prioridade e ordem na relação entre homens e mulheres. Deus poderia ter criado Adão e Eva simultaneamente, mas não o fez. A ordem na criação é a base da instrução do Novo Testamento para que as mulheres não tivessem a autoridade do homem. Deus estabeleceu fronteiras às quais não devemos nos aventurar a ultrapassar. Para uma mulher ensinar na igreja ou assumir autoridade de homem é como desertar do papel preparado para ela por Deus.
8. “Adão não foi o iludido” (2:14) – Sobre a transgressão, a “iludida” foi Eva, não Adão. Ele pecou conscientemente. Os fatos são simplesmente narrados como ocorreram: a mulher assumiu a liderança, o homem se submeteu e o desastre foi o resultado. Deus criou cada gênero com diferentes esferas de ministério e confundir os dois conduz inevitavelmente a algum problema.
O engano de Eva (2:14) é a segunda razão pela qual as mulheres não podem ensinar na igreja nem ter autoridade de homem. Talvez pelo seu instinto maternal, Eva foi mais confiante, menos cautelosa. Em contraste, Adão pecou sabendo perfeitamente que o que estava para fazer estava errado. Embora ambos tenham pecado ao comer o fruto, cada um tinha uma perspectiva diferente quanto à mesma tentação. Então, homens e mulheres foram criados para ser diferentes não apenas fisicamente, mas também nos papéis que assumem na sociedade, na família e na igreja.
Uma explanação alternativa é a diz que Paulo está, na passagem analisada, meramente estabelecendo as conseqüências judiciais colocadas sobre a humanidade em razão das ações de Eva. Assim como o homem foi sentenciado a “em fadiga comer todos os dias da vida“ por causa do pecado de Adão (Gênesis 3:17), também a mulher, por seu engano, deve ser impedida de ensinar e de assumir a autoridade do homem.
É muito usual hoje a desprezo a I Timóteo 2:11-12 (nem ensinamento nem autoridade) como algo relevante apenas nos dias de Paulo (pelo fato de que as mulheres do primeiro século tinham escassa educação ou porque mulheres pagãs eram sacerdotisas, etc.), mas o fato de que os versos 2:13-14 invocam a ordem e os eventos da criação, demonstram que isso é uma verdade atemporal e que transcende a todas as culturas. Tudo que foi aplicável à igreja em Éfeso por causa de Adão e Eva é também verdade universal hoje. Desde que os homens e mulheres são descendentes de Adão e Eva, as mulheres devem aprender quietas, não ensinar na igreja e não assumir autoridade de homem.
9 – As mulheres serão salvas “dando a luz” (2:15) – Desde que o perdão dos pecados acontece apenas pela graça, através da fé no Senhor Jesus, isso não quer dizer que esse perdão venha pela maternidade! Tomada em seu contexto imediato, isso se refere simplesmente à esfera na qual a maioria das mulheres encontrará seu maior potencial de ministério: o lar. Afinal, uma mulher deu à luz o Messias! Porém, mais especificamente, as mulheres cristãs serão “salvas” (2:15) de violar a ordem na criação (2:23) concentrando-se em ser boas mães (Tito 2:3-5). Havendo determinado quais os ministérios inapropriados para as mulheres cristãs (ensinar na igreja e tomar a autoridade de homem, 2:12), Paulo termina enfocando o ministério que é apropriado (cuidar do lar, 2:15). Assim como Paulo recomendou aos filipenses que “efetuassem a vossa salvação” (Filipenses 2:12), aqui ele direciona as mulheres para a área específica na qual devem efetuar (ou trabalhar para) sua salvação: o ambiente do lar.
Uma exceção ao ministério do gênero “maternidade” está em I Coríntios 7, onde o celibato é exaltado sobre o casamento. A razão oferecida é que “A mulher não casada e a virgem cuidam das coisas do Senhor para serem santas, tanto no corpo como no espírito; a casada, porém, cuida das coisas do mundo, em como há de agradar ao marido” (I Coríntios 7:34). O que exatamente essas abençoadas mulheres fazem no serviço do Senhor? Ana usava seu tempo em louvor, jejuando e orando (Lucas 2:36-37). Muitas mulheres tinham liberdade para viajar com Jesus e os apóstolos, ajudando-os com seus próprios recursos financeiros (Lucas 8:1-3). Maria e Marta tiveram oportunidade de oferecer hospitalidade a Jesus em várias ocasiões. Outras mulheres participaram das reuniões de oração (Atos 1:14). Em tempos de perseguições, as sentenças de prisão resultavam em muito menos angústias se não houvesse crianças com as quais se preocupar (Atos 8:3 e 9:2). Lídia foi capaz de gerir seu próprio negócio e hospedar obreiros apostólicos (Atos 16:14). Febe estava disponível para viajar e dar assistência a Paulo além de muito outros (Romanos 16:1-2), Muitas mulheres, entretanto, não tem o dom do celibato e encontram sua principal forma de servir ao Senhor estando no lar.
É muito importante que se evidencie que as razões por trás da não permissão para que as mulheres ensinem na igreja nem que assumam autoridade de homem nada tem a ver com a inteligência, espiritualidade ou capacidade de pregar delas. O intelecto da mulher é igual ao do homem. As Escrituras estão repletas de exemplos de mulheres sábias, boas mulheres (muitas das quais casadas com maus maridos). Como no caso de Pilatos (Mateus 27:19), muitos maridos se dariam melhor aceitando os sábios conselhos de suas esposas! Homens e mulheres são iguais em Cristo (Gálatas 3:28), mas isso não elimina as diferenças dos gêneros criadas por Deus. Cada um tem designadas distintas tarefas para cumprimento na família e na igreja. “Assim como a mulher tem sua área de responsabilidades divinamente apontada, nas quais os homens se intrometerão penas se foram tolos, o homem também tem seu campo de atuação, no qual é insensatez para uma mulher se arriscar” (RCH Lensli, Commentary on The New Testament, vol. 9, pág. 567, Augusburg Publishing House, Minneapolis, 1961).
Profetisas
Desde o Antigo Testamento até o Novo, aprouve ao Senhor usar mulheres para enviar profecias para homens e mulheres. Exemplos de profetisas incluem Miriam, Débora, Hulda, Ana e as quatro irmãs de Felipe. O profeta do Antigo Testamento Joel visualizou os tempos do NT, quando Deus derramaria Seu Espírito, com o resultado de que “seus filhos e filhas profetizarão” (Joel 2:28). Pedro declarou que a profecia de Joel se cumprira no Pentecostes, quando o prometido Espírito Santo desceu sobre os crentes reunidos. (Atos 2:14-21).
Como se pode perceber, porém, existem algumas diferenças entre homens e mulheres, quanto ao uso desse dom. Enquanto que os profetas eram mais públicos em seus ministérios, as profetisas, em contraste, eram bem mais particulares (pelo menos nos exemplos históricos dados nas Escrituras). Por exemplo, Débora foi a Barak com uma profecia pessoal, Não sabemos quem mais a ouviu, mas a profecia era especificamente para Barak. Hulda transmitiu a mensagem de Deus para o rei, do isolamento de seu próprio lar. Ana aproximou-se dos pais de Jesus no meio da confusão do templo e depois falou sobre o menino Jesus para quem quisesse ouvir. Em contraste, a canção profética de Miriam de Êxodo 15:20-21 foi pública e espetacular, mas foi à “todas as mulheres” que ela se dirigiu e não aos homens.
Todas as divergências na abordagem dos usos das profecias entre homens e mulheres são devidas às diferenças colocadas por Deus quanto às funções ministeriais adequadas aos homens e às mulheres. Aparentemente existem diferentes tipos de profecia:
1 – Profecias de encorajamento – Das profecias de encorajamento, um bom exemplo esta em Atos 15:32, onde Judas e Silas, “eles mesmos sendo profetas, muito disseram para encorajar e unir os irmãos”. Essa categoria de profecias é para “edificação, exortação e consolação” (I Coríntios 14:3). O resultado é que “todos podem ser instruídos e estimulados” (14:32).
Este primeiro tipo de profecia é apropriado para que profetisas se engajem nele? A canção de Miriam de Êxodo 15 poderia ser um exemplo de uma profetisa transmitindo sua profecia do tipo encorajamento, mas ainda assim seu ministério foi apenas para outras mulheres. Talvez seja melhor assumirmos que as profetisas atuavam exatamente da mesma forma que os profetas. É interessante, entretanto, que nenhuma profetisa escreveu qualquer dos livros proféticos do Antigo Testamento. É também interessante notar que a maioria dos profetas verbais era homens. Mais especificamente, nas passagens do NT que parecem tratar de profecias para o público (I Coríntios 14:29-38), é determinado que, nas reuniões da igreja, às mulheres “não é permitido falar”. Poderia isso se referir a algum tipo de limitação às mulheres quanto a profetizar? (há um artigo da NTRF sobre o assunto, ainda apenas em inglês, On The Lord’s Command That Women Remain Silent).
2 – Profecia de discernimento. – Quando Jesus falou à mulher no poço sobre seus vários maridos, ela retrucou: “Senhor, vejo que és profeta” (João 4:19). Ao deduzir isso sobre Jesus, ela traduzia um entendimento comum no primeiro século sobre o dom de profecia: ela era a recepção de conhecimento sobrenatural sobre fatos correntes ou as particularidades da vida de outras pessoas. Esse conhecimento sobre a profecia é evidente também na pergunta feita pelo soldado a Jesus, depois de vendá-Lo e de O esbofetear: “Profetiza-nos, ó Cristo, quem foi que te bateu?” (Mateus 26:68). Paulo escreveu sobre esse aspecto da profecia funcionando em uma reunião da igreja do primeiro século, com o resultado de que um incrédulo teria “os segredos de seu coração” revelados (I Coríntios 14:25). Um exemplo do Antigo Testamento é o conhecimento do profeta Natan do pecado secreto do Rei Davi com Bate-Seba (2 Samuel 12). Esse segundo tipo de profecia demanda urgência em sua entrega ao destinatário.
3 – Profecia de predição – A mais popular forma de profecia, por natureza, é a de predição. Todos pensamos imediatamente nos muitos profetas do AT que predisseram a pendente invasão de Judá pela Babilônia, o nascimento do Messias ou a vinda do Novo Concerto. Um exemplo do NT é a predição de Ágabo sobre a fome (Atos 11:28) ou o alerta de Jesus sobre a destruição do templo ocorrida no ano 70 da Era Cristã (Mateus 24).
São os segundo e terceiro tipos de profecia (de discernimento e de predição) apropriados para profetisas? – É obviamente adequado que Débora tenha ido a Barak com a profecia sobre seu futuro como líder militar, que Hulda tenha dado ao rei uma palavra sobre seu futuro como monarca e Ana tenha falado a todos que a podiam ouvir sobre Jesus (Lucas 2:39)! O derramamento do Espírito no Pentecostes sobre homens e mulheres demonstra que é apropriado que a mulher exerça esse dom. Em todos esses casos, os homens que ouviram as palavras de profecia trazidas pelas profetisas obtiveram novas informações (palavras de Deus) que anteriormente não tinham. Nesse sentido, eles aprenderam algo. Isso faria da profetisa uma mestra para aquele homem? Não, da mesma forma que o carteiro, quando entrega um telegrama, também não se transforma em mestre por isso.
Quando uma mulher do Novo Testamento profetizava, para um homem ou para outra mulher, devia ter a cabeça coberta, como símbolo de sua concordância com o desejo de Deus de que a ordem da criação fosse mantida (I Coríntios 11). Paulo desejou que tanto homens quanto mulheres atentassem para que “a cabeça de cada homem é Cristo, a cabeça da mulher é o homem e a cabeça de Cristo é Deus (I Coríntios 11:3). A mulher deve ter o símbolo da autoridade na sua cabeça, porque “o homem não proveio da mulher, mas a mulher do homem, nem foi o homem criado por causa da mulher, mas a mulher por causa do homem” (I Coríntios 11:8-10).
A profecia de Joel (Joel 2) sugere que a ocorrência de profecias era largamente difundida nos tempos do NT. Ainda assim, isso não autorizou o relaxamento das normas sobre o que era atividade ministerial apropriada para homens e para mulheres. Cada gênero tem tarefas complementares a atender, tarefas essas determinadas por desígnio divino na Criação (Gênesis 1 – veja também o artigo da NTRF, ainda só em inglês, Sisters in Service). A esse respeito, RCH Lenski cita Loy: “É certamente gratuito assumirmos que o silêncio da mulher nas assembléias da igreja (porque elas não devem usurpar a autoridade do homem) é inconsistente com os dons proféticos a elas concedidos. O Senhor que os concedeu também oferece amplas oportunidades para que eles sejam usados sem a transgressão de Suas ordens. Não é necessário que elas apareçam nas assembléias da igreja. Elas podem fazer seu trabalho privadamente, para o que estão mais bem capacitadas. Não é preciso que elas, sem modéstia, se apresentem em público ante o olhar pasmado dos homens, na tentativa de obter autoridade sobre eles, tentando ser suas mestras, quando há muito trabalho a ser feito entre seu próprio sexo e entre as crianças. É irracional e ímpio o pensamento de que uma mulher está errada quando fica limitada à sua própria esfera como mulher, assim como a idéia de que existe injustiça quando sua reivindicação para agir como homem e fazer o trabalho dele na igreja não é admitida. Existe muito espaço para o exercício de seus dons no lugar que Deus determinou para ela” (pág. 571).
Diz I Coríntios 14:29-33 que os espíritos dos profetas estavam sujeitos a eles e que, se um deles recebesse uma revelação e estivesse em pé para falar, deveria se calar se outra pessoa recebesse outra revelação. Isso significa que, no terreno das profecias, Deus pode dar a uma pessoa uma revelação que não deve ser divulgada em naquela oportunidade. O mesmo pode ser verdade para as mulheres com o dom de profecia. Existem horas e lugares onde seus dons não devem ser empregados, Por exemplo, Paulo e seus companheiros estavam em Cesaréia com Felipe, que tinha quatro irmãs solteiras profetisas. Mas, apesar disso, Deus preferiu mandar Ágabo vir da Judéia até Cesaréia para profetizar para Paulo acerca de sua futura prisão.
As mulheres foram claramente dotadas por Deus com o dom de profecia (I Coríntios 11). Algumas mulheres profetizaram para homens. Desde que “aprender” é um resultado da profecia (I Coríntios 14:31), como pode a proibição de Paulo de que as mulheres ensinem ser realmente observada? A palavra grega para ”aprender” é mantano (como em I Coríntios 14:35 e I Timóteo 2:11), que não é a mesma para ”ser instruído”. Somente porque profecia resulta em “aprender” não faz do profeta um instrutor. Alguém pode aprender das palavras de uma oração ou de uma canção, mas isso não faz da pessoa que ora em voz alta ou da que canta um mestre. Tratando erroneamente como sendo sinônimos os dons de ensinar e o de profetizar, alguns citam I Coríntios 11 (junto com Lucas 2:36 e Atos 21:9) para lançar por terra a categórica proibição de I Timóteo 2:12. O problema com essa posição é que ensinar e profetizar estão relacionados em Romanos 12:6-7 como dois dons distintos e separados. Assim, em I Coríntios 12:2830, Paulo pergunta: “São todos apóstolos? São todos profetas? São todos mestres?”
Qual é a diferença entre ensino e profecia? Wayne Gruden, no livro Gift of Prophecy in the New Testament and Today, diz na pagina 135:
“1 - Embora ambos sejam verbalmente expressados e resultem em ‘aprender’ (I Coríntios 14), profecia é o resultado de uma revelação pessoal (individual) do Espírito Santo, enquanto que ensino é baseado na Palavra de Deus escrita.
2 - Enquanto que a profecia é espontânea e não programada, o ensino geralmente vem de horas de pesquisas e estudos. Ensino envolve intelecto, treino, aptidão e planejamento. Profecia, ao contrário, vem do Espírito, não do intelecto.
3 - Profecia e ensino são sempre tratados como dois separados e distintos dons espirituais no NT.
4 - Ensinos não são julgados por um conjunto de profecias, mas todas as profecias devem ser julgadas pelas Escrituras e pelo corpo de mestres apostólicos. O ensino regular baseado na Palavra de Deus tem muito mais autoridade do que uma ocasional profecia baseada numa impressão pessoal, que um profeta pensa ter recebido de Deus.
5 - Ensino é associado com liderança. Ensinar para a igreja é assumir uma forma de ‘autoridade’ (I Timóteo 2:12). Um dos requisitos para todos os anciãos é que eles sejam ‘capazes de ensinar’ (I Timóteo 3:2), não de profetizar. Efésios 4:11 refere-se a um tipo de ministros que servem a igreja como ‘pastores e mestres’, não como ‘pastores e profetas’ ”.
O QUE AS MENTES INQUISITIVAS QUEREM SABER
Se Paulo já havia proibido as mulheres de ensinar em todas as igrejas, não seria supérflua a recomendação para seu jovem assistente encontrada em I Timóteo 2:12? O pensamento por trás dessa questão é que, desde que Paulo havia trabalhado com Timóteo por vários anos e se a proibição do ensino pelas mulheres era uma prática regular, então Paulo não teria necessidade de, de repente, escrever isso na carta a Timóteo. Da mesma forma, igual questão poderia ser apresentada sobre as qualificações para anciãos e diáconos de I Timóteo 3. Porque esses requisitos não haviam sido ainda apresentados, especialmente sendo Timóteo um plantador de igrejas? Paulo instruiu a Timóteo na oração em I Timóteo 2. Não teria ele abordado essas coisas nos três anos de associação com Timóteo?
Certamente Timóteo estava ciente das tradições apostólicas vigentes nas igrejas. Porém, a liberdade do evangelho trouxera à tona novas questões. Mulheres na função de mestras certamente se tornara uma delas. Então, Paulo reforçara por escrito o que Timóteo já sabia na prática. A proibição de I Timóteo 2:12 não era muito diferente da de I Coríntios 14, na qual a igreja de Corinto fora relembrada de que “conservem-se as mulheres caladas nas igrejas” (14:34). O texto deixa claro que não era para elas começarem a ficar caladas, pois usualmente já faziam dessa forma.
E se as mulheres ensinam aos homens na igreja com o consentimento dos anciãos? É bom vivermos em harmonia com os desejos dos líderes da igreja. Entretanto, o caso aqui não é de aprovação pelos anciãos, mas de desaprovação por Deus. Não existem indicações nos textos sagrados de que a obtenção de aprovação pelos anciãos seja uma razão aceitável para desobediência à proibição das Escrituras.
Mas, e se uma mulher ensinar a Bíblia de uma forma não autoritária? Poderia ser argumentado que, nesse caso, a “mestra” não seria uma mestra realmente. Como poderia alguém rotular a outrem de mestre, se não ocorrer ensinamento? Essa pessoa poderia ser mais uma moderadora, introdutora ou facilitadora. Apenas isso, entretanto, já seria inapropriado para uma mulher cristã. Como poderia ela moderar num meio em que houvesse ignorância e, ao mesmo tempo, “aprender em silêncio”? Como poderia ela liderar e estar em “total submissão”? Estaria ela realmente “calada” (I Timóteo 2:12) nesses casos? Por outro lado, se uma mulher deseja compartilhar um testemunho de alguma coisa que Deus fez ou lhe transmitiu ou algo que ela meditou nas Escrituras, isso é perfeitamente aceitável, desde que não seja feito como ensinamento.
Como poderemos saber se isso tudo não é apenas cultural? O único propósito de Paulo ao escrever a Timóteo foi o de que ele, “... No caso de eu tardar, saibas como se deve proceder na casa de Deus, a qual é a igreja do Deus vivo, coluna e esteio da verdade” (I Timóteo 3:15). Lembremo-nos também de seu apelo à Criação, sugerindo uma aplicação que transcende ao tempo e à cultura. A determinação de Paulo de que as mulheres não devem ensinar na igreja é, de certa forma, cultural: mas, a isso chamamos cultura cristã!
E se algum problema local levou Paulo a essa proibição e esse problema já não mais existe? Ele pode até ter escrito em resposta a algum problema local que já não existe. Não obstante, há uma enorme e universal situação que ainda persiste: somos todos descendentes de Adão e Eva. O contexto da argumentação de Paulo para a proibição de as mulheres ensinarem na igreja ou de assumirem autoridade de homem é claramente a apoiada em razões intencionalmente voltadas para seu cumprimento por todas as igrejas em todos os tempos. Porque então Paulo citaria a prioridade de Adão na criação (2:13)? Ao citar a Criação como a base para as proibições, ao invés de algum problema cultural local, Paulo deixa claro que, ainda que alguma situação momentânea possa ter exigido a carta, essa situação não foi a justificativa para a proibição. Essas proibições são aplicáveis enquanto o raciocínio de 2:13 (Adão e Eva) permanecer verdadeiro.
Não poderia a morte de Cristo haver-nos redimido da maldição (Gênesis 3) e anulado seus efeitos? Uma parte da maldição em Gênesis 3 é que o homem deve “prevalecer” sobre a mulher. Ao invés de serem amorosas e servidoras, as mulheres do mundo tendem a ser egoístas e grosseiras ditadoras. Esse tipo de autoridade é uma perversão do plano original de Deus. Entretanto, a liderança e a prioridade de Adão precedem à queda. Elas são independentes da queda. Como foi antes evidenciado, Deus poderia facilmente haver criado Adão e Eva simultaneamente, mas não fez. Isso demonstra que é “o homem a cabeça da mulher... porque o homem não proveio da mulher, mas a mulher do homem e nem foi o homem criado por causa da mulher, mas sim, a mulher por causa do homem” (I Coríntios 11:3-9). Essa posição inerente de submissão, de acordo com I Timóteo 2:11-15, é violada quando uma mulher ensina as Escrituras ou exercita a autoridade de homem.
O efeito contrário ao da queda resulta em homens cristãos amando suas esposas e sendo servos-líderes (Efésios 5). O aspecto de “consenso mútuo” do casamento, descrito em I Coríntios 7:5, ressalta a terna e amorosa liderança que os homens devem exercer. Esse efeito resulta também em esposas crentes contentes com sua submissão, não desejando exercer domínio sobre seus maridos (Gênesis 3:16 e 4:7).
Como pode I Timóteo 2:11-12 ser uma verdade universal, à luz da natureza cultural do parágrafo precedente (2:9-10), o qual determina que “as mulheres se ataviem com traje decoroso, com modéstia e sobriedade, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos custosos, mas (como convém a mulheres que fazem profissão de servir a Deus) com boas obras”? Todas as cartas do NT são documentos “ocasionais”, escritos em resposta a alguma situação específica do primeiro século (usualmente um problema). Apenas o contexto no qual as instruções estão inseridas podem nos dizer quais delas deveria ser temporárias e limitadas (como em II Timóteo 4:13: “traga a capa que deixei com Carpo”), ou aplicadas a todas as igrejas em todos os tempos. Evidentemente, uma maneira de as mulheres não crentes do mundo romano expressarem riqueza e se apresentarem “na moda” era através de elaboradas tranças nos cabelos, entremeadas com ouro e jóias caras e de vestidos ostensivos. Em contraste, Paulo orientou as mulheres cristãs a se concentrarem no que é realmente adorno: boas obras, como se espera das mulheres que professam servir a Deus. Portanto, ainda que o aspecto possa ser de algum modo “cultural”, o princípio por trás disso permanece verdadeiro. Mulheres crentes ainda devem se concentrar em se vestir modestamente e a enfatizar a beleza íntima sobre a o adorno exterior. Não há conflito nenhum aqui!
Priscila não ensinou as Escrituras a Apolo (Atos 18:24-26)? Sem dúvida, Apolo aprendeu de Priscila. Lucas nos informa que Apolo já era “poderoso nas Escrituras” (18:24), e “ensinava com precisão a respeito de Jesus” (18:25). Apolo tinha, não obstante, uma lacuna em seu conhecimento sobre o batismo. Desse modo, Áquila e sua esposa Priscila (e não apenas Priscila), “tomaram-no consigo” (chamaram-no em particular) e, “com mais exatidão, lhe expuseram o caminho de Deus” (18:26). Foi uma discussão privada (“tomaram-no consigo”) e, em nenhum lugar, Lucas declara que Priscila fez a maior parte da explanação.
Muitos sentem que, desde que o nome de Priscila é citado antes do de Áquila, ela deve ter sido a principal oradora do encontro. Porém, uma razão válida para que seu nome tenha sido apresentado antes é oferecida por Wayne Meeks no livro The First Urban Christians, pág. 21: era comum que o nome de uma mulher precedesse ao de um homem, desde que ela fosse, antes do casamento, de um nível social mais elevado do que o do marido. Um exemplo é o caso de uma mulher nascida livre e casada com um homem liberto (um ex-escravo, embora agora livre). Mas, isso não quer dizer muito. Na minha igreja eu, sem ter um motivo especial, muitas vezes me refiro a um casal como “João e Maria” e a outro como “Susana e Roberto”, sem nenhum juízo de valor com respeito a qualquer um dos dois.
A palavra grega usada para “expuseram”, em Atos 18:26, deriva de ektithemi, que é diferente de didasko (ensinar), como em Atos 11:25. Note-se que ektithemi é usada em Atos 11:4 (Pedro explanando aos seus críticos sobre o batismo de Cornélio). Por exemplo, você ensina ao seu patrão quando chega atrasado ao trabalho, ou se explica para ele? Enquanto automaticamente que isso serve para ilustrar que nada há de errado em um homem aprender de uma mulher, não é, entretanto, o exemplo de uma mulher que tivesse sido reconhecida pela igreja como mestra.
Em Apocalipse 2:20-25, é dito que a autoproclamada profetisa Jezabel ludibriava a muitos com seus “ensinamentos”. Isso não quereria dizer que na igreja primitiva era permitido que a mulher ensinasse? Primeiro, que uma pessoa seja profeta não quer dizer que ela seja, automaticamente, também mestra. Jezabel foi uma profetisa, não uma mestra. Segundo, a igreja que tolerasse a alguém, homem ou mulher, que defendesse a imoralidade sexual (como Jezabel fazia) teria provavelmente poucos escrúpulos quanto a violar ordens de Deus respeitantes aos ministérios apropriados para homens e para mulheres (como às mulheres não ser permitido ensinar na igreja).
Estudos sobre a realidade do evangelho na China parecem demonstrar que, não fosse pelas mulheres como mestras e como dirigentes eclesiásticas, as igrejas de lá poderiam estar em sérias dificuldades. Como podem os ministérios dessas mulheres estar errados? Nós devemos julgar nossa experiência pela Escrituras e não as Escrituras pela nossa experiência. Martinho Lutero disse que, se a Bíblia declarasse que comer esterco fosse bom para ele, ele comeria, certo de que seria realmente bom. Ao contrário, se a Bíblia diz que determinada atividade é errada ou contra a vontade de Deus, então, independente das circunstâncias, isso não é o melhor de Deus para qualquer situação. Paralelamente à parcela de bom que exista na situação, ela pode ainda causar danos. Um automóvel com as rodas desalinhadas ainda transporta seus ocupantes, porém à custa da destruição de seus pneus.
Como tudo isso se aplica às igrejas bíblicas domiciliares? Obviamente, mulheres não devem assumir tarefas de instrutoras de doutrinas nem devem exercer trabalhos que as coloquem em posições de autoridade reservadas aos homens (isto é, posição de ancião, de juiz de profecias, de debater com os mestres e de tomar decisões por consenso). Por outro lado, o fato de que as mulheres não podem ser mestras não quer dizer que os homens nada têm a aprender com elas. As muitas profecias dadas por Deus às mulheres ilustram isso (Atos 2:17 e I Coríntios 11:3-16). Certa vez minha esposa compartilhou comigo seus pontos de vista sobre uma passagem das Escrituras (visão essa que eu jamais tivera), que me ajudaram sobremaneira no entendimento do texto. Embora as pessoas “aprendam” co m as profecias (I Coríntios 14:31), “profetas” não são fundamentalmente “mestres” (I Coríntios 12:28-29). Embora cantar seja uma forma de ensinar (Colossenses 3:16), se aprendemos com a letra da música, o cantor (ou cantora) nem por isso será realmente um mestre ou uma mestra. Um compartilhar informal de pontos de vista ou de diferentes pensamentos não coloca a ninguém no papel oficial de mestre! Conquanto não seja permitido à mulher ensinar ou exercer autoridade de homem, precisamos ter cuidado em não limitar outros ministérios que são completamente abertos a elas. A igreja seria severamente mutilada sem a participação delas!
Conclusão
Desejo que tudo o que foi escrito (em amor) seja recebido como verdade. Enquanto que eu valorizo nossos irmãos e irmãs em Cristo que sustentam pontos de vista diferentes dos que apresentamos, é inquietante vermos as Escrituras serem tão facilmente esquecidas como irrelevantes para nossos tempos. Em nosso zelo por afastar as danosas tradições humanas que surgiram por milênios, devemos ser cautelosos para não eliminarmos junto os ensinamentos e práticas que estão firmemente enraizadas na Palavra de Deus.
Nota do original: Revisado em 03/08/03
Tradução de Otto Amaral
Se você fala português e deseja algum esclarecimento acerca do artigo acima ou quer fazer algum comentário sobre o mesmo, entre em contato com Otto Amaral no Brasil, pelo e-mail: ottoamaral@uol.com.br
Steve e sua esposa Sandra vivem em Atlanta (Geórgia, EUA) e educam em casa seus três filhos. Steve é graduado Mestre em Divindade pelo Mid America Baptist Theological Seminary e serviu por sete anos como pastor da Igreja Batista do Sul. Ele demitiu-se em 1990 para trabalhar com as igrejas domiciliares. Esteve é agora ancião em duas dessas igrejas, professor, palestrante itinerante e presidente da New Testament Restoration Foundation (Fundação para Restauração do Novo Testamento). Ele pode ser contatado em nt_restoration_foundation@juno.com
Um capítulo do livro de estudo teológico The Practice of The Early Church (por enquanto disponível só em inglês) foi escrito para os que desejam estudar mais as idéias expressas neste artigo. Usando método socrático de ensino, ele estimula os leitores a chegarem às suas próprias conclusões lendo as Escrituras. Ele é especialmente indicado para estudo individual ou como um manual para grupos de estudo bíblico.



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