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Sexo, hipocrisia e 10%

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Sexo, hipocrisia e 10%

Mensagem  Welbe em 2010-01-15, 08:29


Sexo, hipocrisia e 10%
por Paulo Moreira Leite

Não é todo dia que se pode dar risada de uma história exemplar
como a de Iris Robinson, a supermoralista deputada da Irlanda do Norte
apanhada em adultério e corrupção. O caso é uma grande parábola sobre a
hipocrisia, até porque um detalhe ajuda a tornar tudo mais claro
e vergonhoso e mesmo para nós brasileiros, forçados a conviver com
tantos episódios que envolvem desvio de recursos e tráfico de
influencia, o caso tem ensinamentos úteis.
Com idade para ser avó do filho de um açougueiro que se transformou em
seu amante, Iris Robinson usou o prestígio do cargo de forma classica:
ajudou a a levantar recursos junto a duas empresas privadas para a
construção de um bar e ainda usou sua influência política para
conseguir licenciamento público em tempo
recorde. Até aí, nada muito diferente. A diferença é que Iris Robinson
também foi generosa consigo mesma. Entregou a maior parte da quantia
para o namorado e desviou 10% do que havia conseguido para sua própria conta bancária. Alegou que tinha dívidas a pagar, informa o El País.
Mais tarde, quando os dois romperam, ela tentou ficar com o bolo
inteiro. Exigiu todo o dinheiro de volta, alegando que iria transformar
metade da quantia em donativo a sua igreja.
Em resumo: Iris Robinson não só queria sexo fora do casamento
– mas queria aproveitar a chance para ganhar as chamadas vantagens
materiais. O que torna tudo mais chocante não é o sexo, claro, mas o
dinheiro, sustenta o jornal.
Enrolada na bandeira da moralidade, Iris Robinson foi uma adversária linha duríssima dos direitos dos homossexuais.
Num país com laços históricos com a política dos EUA, criticou Hillary
Clinton quando ela perdoou os casos de Bill Clinton fora do casamento.
Podemos discordar e criticar essas idéias. Mas ninguém pode ser condenado por manifestar sua opinião.
Nós ainda sabemos que as tentações do sexo e do amor costumam ser mais
fortes do que as convenções sociais e mesmo convicções pessoais mais
íntimas. Se tem alguma dúvida a respeito, aproveite para ler Leon
Tolstoy, que escreveu uma obra-prima a respeito, Ana Karenina.
A questão é o dinheiro.
Ao cobrar comissão do namorado a deputada deu um sentido especialmente
estranho e vergonhoso a tudo o que ocorria sob os lençois, concorda?

Época/Notícias Cristãs
14 Janeiro 2010









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