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Pesquisa mostra dilemas de biólogos evangélicos

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Pesquisa mostra dilemas de biólogos evangélicos

Mensagem  Welbe em 2009-11-06, 07:40

Pesquisa mostra dilemas de biólogos evangélicos

Cientista da UFF mostra que eles querem ser professores de Ciências, mas 70% desconfiam da Teoria da Evolução
Uma pesquisa da Universidade Federal Fluminense (UFF) mostra os
conflitos vividos por estudantes evangélicos que querem se tornar
professores de ciências. A maioria deles duvida da veracidade da teoria
da evolução, de Charles Darwin, mas garante que não vai ensinar nas
escolas que Deus criou o homem e o mundo.
O biólogo com mestrado em Zoologia do Museu Histórico Nacional Luis
Fernando Marques Dorvillé achava que ninguém, dentro de uma
universidade, seria capaz de contestar sem base científica o que para a
ciência é verdade absoluta. Mas o aumento da incidência de alunos
evangélicos nos cursos de Biologia instaurou a polêmica.
A questão que aflige Dorvillé é como alguém pode ensinar ciências sem
acreditar na teoria de Darwin? Seu assombro foi tamanho que ele passou
os últimos oito anos entrevistando alunos para sua tese de doutorado na
UFF. O trabalho narra esses embates usando a experiência do cientista
com seus alunos evangélicos no curso de Biologia de um outra
instituição do Estado, a Universidade Estadual do Rio (Uerj).
O levantamento mostra que dos 245 matriculados no curso de Biologia da
Uerj, em São Gonçalo, 23% são evangélicos. O número é mais alto do que
revelou o Censo de 2000 (15,44% dos brasileiros são evangélicos), mas
muito próximo das estimativas de crescimento que o próximo Censo deve
mostrar em 2010.
Dorvillé distribuiu questionários entre os alunos de todas as
religiões. Diante de questões como “Comente a frase: alguns seres vivos
têm parentesco maior entre si do que com outros” descobriu que a
desconfiança sobre teoria da evolução chega a 70% entre os
protestantes, 30% dos católicos e 20% dos espíritas e umbandistas.
“No início eu queria convencer os alunos a ferro e fogo.
O resultado era nulo. Eles ficavam quietos, escreviam tudo certo e
depois falavam ‘mas eu não acredito em nada disso’.” Dorvillé mudou a
estratégia. Passou a confrontar as ideias religiosas com argumentos,
sem tentar demovê-los de suas crenças.
Da indignação para a conciliação demorou um ano. Neste período o
biólogo ouviu de tudo. De um aluno mais enfático, no auge da discussão
sobre a teoria da evolução, veio a justificativa considerada absurda
para um futuro biólogo: “Minha avó não é macaca. Então foi Deus quem
criou o homem.”
A pesquisa também indicou que os alunos evangélicos mudam ao longo do
curso. “A maioria faz uma mediação entre o que diz a ciência e a
religião.” Acreditam, por exemplo, que há evolução, mas quem guia todo
o processo é Deus; ou admitem que a evolução sirva para as outras
espécies, menos para o homem; ou que, a criação divina do universo
durou seis dias, mas a leitura não deve ser literal, já que entre um
dia e outro ocorreram as eras geológicas e o processo de evolução.
De uma coisa eles não abrem mão, diz o professor. “Nunca deixam de ser
evangélicos e de acreditar no que a igreja ensina. Nunca abandonam a
religião por conta da faculdade.” Essa também não é a intenção de
Dorvillé. “Quando eu consigo qualquer grau de interferência me sinto
satisfeito.”
A área de ciências é uma das que mais sofre com a falta de professores
no País. Pela carência de profissionais, a maioria dos formandos
consegue emprego assim que deixa a universidade. “Muitos deles estudam
biologia justamente porque o acesso é mais fácil. Não tem muita disputa
de vagas no vestibular”, diz.
O cientista conta que, em uma das aulas, ouviu de um aluno uma
declaração perturbadora: “Eu sei de tudo isso que você está me falando,
mas prefiro não pensar muito.” Para Dorvillé, os alunos vivem uma
angústia. “Esta visão de mundo ajuda a formar quem eles são. Muitas
vezes foi graças a religião que eles, vindo de famílias pobres,
conseguiram chegar à universidade.”
Na sua tese de doutorado, Dorvillé descobriu também que os futuros
professores evangélicos concordam que em sala de aula vão repetir a
seus alunos o que aprenderam na faculdade. Mesmo que não acreditem. A
religião, dizem eles, vai ficar fora da sala.
“Eu já acho emblemático haver evangélico ensinando teoria evolutiva com
alguma propriedade. E eles podem ser bons professores, principalmente
porque vão falar para muitos alunos evangélicos nas escolas públicas.”
Dorvillé confia que eles não vão trair o legado de Charles Darwin.
Aline Malafaia frequenta a Igreja Batista desde os 4 anos. Formada em
Biologia pela Uerj, fez a sua própria interpretação sobre a teoria da
evolução misturando o que aprendeu no curso com o que ouviu em sermões
do pastor evangélico. “Sendo bióloga, não poderia negar que nós e
outros primatas temos um ancestral comum. Mas a criação teve a mão de
Deus.” O curso fez com que Aline encarasse a Bíblia com outros olhos.
“Ela não foi escrita para ser um livro científico. Podem ter sido 7 milhões de anos, em vez de 7 dias, e entre eles ocorreu a evolução.”
Hoje, Aline dá aulas para crianças. Antes de ensinar a teoria da
evolução, quis saber a opinião delas. “Todos responderam que foi Deus
quem criou a vida.” Mas ela garante que vai ensinar o que aprendeu na
faculdade. “São regras que nós professores devemos cumprir.”

AE/Notícias Cristãs
02 Novembro 2009

Welbe

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